Um texto S-E-N-S-A-C-I-O-N-A-L do brilhante Rafael Cortez....
Hoje peço licença a vocês para falar de uma coisa absolutamente particular, banal e que não mudará em nada a vida de cada um aqui — tampouco poderá causar qualquer comoção. Choveu muito esses dias em São Paulo e no Rio. E eu odeio chuva.
Sei que é um pecado dividir uma asneira dessas. Afinal, a chuva é parte intrínseca do fenômeno da vida; é obra da natureza; choro ou mijo dos anjos (versão que minha mãe narrava quando eu era criança, "tudo depende do humor deles"); espetáculo da criação; oportunidade de renovação da Terra; fruto da obra de Deus. Eu sei de tudo isso. Obrigado, chuva. Mas procure não cair perto de mim.
Começa que eu nunca, jamais, em hipótese alguma consegui ter um guarda-chuva por muito tempo. Acho que há um pacto entre guarda-chuvas e mulheres com relação a mim: não me pertencerão por mais que 2 horas e eu terei pago barato para que fiquem comigo. Mas nunca ficam.
Esqueço guarda-chuvas em todos os cantos, sempre. Quando chover e você estiver ferrado sem ter como se proteger da chuva, siga-me. Em questão de minutos, mesmo que eu precise como nunca dessa porra, eu vou deixar esse objeto em algum canto. Simples assim.
Outra coisa: há um ímã colocado dentro do meu globo ocular que sempre conduzirá os meus olhos ao encontro de uma vareta pontuda e enferrujada de guarda-chuva. Fora que, tão logo me vejo abrindo um guarda-chuva na rua, imediatamente sou surpreendido por uma rajada de vento que me atinge pelas costas e faz meu "guardião das águas" se retorcer por completo, que nem a menininha maldita de "O Exorcista". E é comum que você ouça relatos de quem já me viu com a ponta desse objeto presa na escada-rolante. Isso já me aconteceu mais de uma vez.
Eu poderia me proteger das águas do céu com uma capa de chuva. Mas qual é o sentido de usar uma coisa que te protege do ato de chover mas te encharca no ato de retirar do corpo? E tem coisa mais ridícula que capa de chuva? Quando uso uma, eu entendo como meu melhor amigo se sente dentro de um preservativo.
Duas coisas são certas quando chove: tão logo a primeira gota cai do céu em mim, imediatamente fico gripado. E sim, em algum momento eu vou cair na rua. Todos os meus tênis e sapatos foram desenvolvidos por arqui-inimigos do Rafael Cortez (provavelmente alguns leitores do meu blog no Yahoo!): eles criaram uma tecnologia especial que permite que não haja NENHUM atrito entre meu solado e qualquer piso onde firme meu corpo quando estiver chovendo. E, como a vida é cruel, quase sempre quando caio na chuva é numa abundante poça d'água.
Para consolidar meu ódio da chuva, há a máxima que diz assim: "sempre choverá quando o Rafael - QUANDO SANDRA PAULA - precisar fazer muitas coisas na rua". Os raros dias ociosos que tenho para dormir à exaustão, embalado pelo barulho das gotas na janela (como isso é bom!), são sempre tomados por um sol que me chama às ruas, ávido por viver a vida! E, se posso, eu fico em casa mesmo assim. Agora, quando é preciso andar pela cidade o dia todo, aflito para resolver mil compromissos, certamente vai chover. E eu vou ter de fazer tudo que tinha previsto, mas ensopado da cabeça aos pés.
... Nessa hora, vou pensar que não há nada e nem ninguém mais molhado do que eu. Mas logo penso algo que me consola e me destrói ao mesmo tempo: "Estou ensopado! Mas ainda estou melhor que o meu apartamento, que já está submerso por causa de todas janelas que deixei abertas"! - E MELHOR DO AS ROUPAS QUE ESTÃO NO VARAL DE CHÃO SECANDO...
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