Monday, October 22, 2012

Outra instiuição falida: F-A-M-Í-L-I-A

Na verdade, pra uma sexta feira, meu dia bem que começou péssimo.
Não dormi direito a noite. Perdi o sono umas 2 da matina e fui tentar assistir a Era do Gelo 4.
Não consegui.
Pra ajudar, eu já sabia que teria que levantar cedo por 3 motivos:
1) tinha que tirar o lixo que não tirei ontem;
2) tinha que imprimir a merda do formulário do TRE pro Sr. Kioski e sacar o dinheiro pra ele e
3) tinha que vir compensar uma hora de almoço a mais que eu vou ter que fazer.
Sabe, eu não sou educada. Eu não sou gentil. Eu não sou fina.
Eu não sou tão culta. Eu não sou flor que se cheire. Eu não sou meiguinha, muito embora, às vezes, eu finja muito bem.
E eu juro que, mesmo com 32 anos, ainda não aprendi a hora de ficar calada. Nem a hora de não expressar a minha opinião. Nem a hora de agir com a cabeça, ao invés de agir com "sangue nu zóio".
Eu nunca fui boa filha. Mas também, nunca tive os melhores pais.
É sério... raciocinando friamente, a minha impressão é a de que a única preocupação do meu pai era em relação aos estudos. Como ele mesmo dizia: "Não tenho empresa, nem um grande patrinomio, nem... blá blá blá... o que eu posso deixar pra vocês é um bom estudo."
Tipo, à conclusão que eu tiro nesses longos e tristes 32 anos de convivência com ele é a realidade de hoje: a de que ele queria todo mundo com um emprego garantido pra poder, pelo menos, sobreviver no mundo uma vez que ele fez o "grande" favor de colocar 4 filhos no mundo, mesmo sabendo que não tinha grandes condições, nem financeiras nem psicológicas, de criar bem.
Diz ele que quando eu nasci, foi o que o ajudou a superar a perda da mãe dele. Pode parecer um discurso bonito mas eu penso de outro jeito: na verdade, ele teve que deixar de sofrer porque agora tinha uma obrigação. E uma coisa que eu tenho q confessar é que meu pai é uma pessoa responsável quando o quesito em pauta é: obrigação. Ele tinha a obrigação de cuidar de outra vida. Ele tinha a responsabilidade de arcar com os custos de um filho.
A minha mãe é um caso a parte. É sério... eu odeio brigar com ela mas eu só faço isso porque ela é molóide demais. Submissa demais. E quer sempre colocar panos quentes em todas as situações que ela acha que vai desestruturar a família e não consegue, de forma nenhuma, de ver que a família já está parcialmente desestruturada. Acho que só ela não quer ver.
Ela me critica por ter algumas atitudes. Mas ela sempre acha que o jeito dela é o mais certo.
Tipo, eu me lembro de quando fui chamada na Federal do Paraná. Ela me disse que meu pai "obrigaria a Lu ir também" caso eu fosse. E, tipo, tadinha... a boa filha, a boa aluna... sempre fez por onde merecer entrar na USP... e eu não tiro o mérito dela mas eu cansei de viver à sombra deles.
Como já escrevi certa vez... cansei de ser a filha do Kiyoshi, a irmã da Luciana, a irmã do Kiyoshinho.
Quero, pura e simplesmente, ser a Sandra Paula.
Mesmo hoje, num emprego onde eu entrei por méritos próprios, numa cidade em que aprendi a viver, tenho que continuar a aguentar desaforos. Ser tratada como a ovelha negra da família porque não gosto de aguentar as coisas caladas. Porque enfrento o mau humor do velho, porque respondo a minha mãe. So que, em  todas as vezes em que aguentei calada, sofri por dentro.
E daí que só eu sei o que eu passo. Só eu sei o sono que eu perco, a falta de ar que eu tenho, as dores no peito que eu sinto.
Sabe porque sempre me preocupei em ter bons amigos? Porque nunca tive bons irmãos.
Nunca pude contar com nenhum deles. Tipo, sempre tentei proteger os 2 mais novos mas o modelo ideal deles sempre foi a Luciana.
Por mais que eu fizesse por eles - levava e buscava na escola, no futebol, no ingles, nas festinhas - a recíproca nãe era vedadeira.
E quando meu irmão começou a dirigir tb. Uma tragédia. Tipo, EU FICAVA SEM CARRO QUANDO ELE VOLTAVA. E ele sempre fodia o carro e depois eu ficava sem carro por mais 2 ou 3 semanas. Ou seja, era sempre eu quem me fodia no final da contas.
E o que é pior... sempre usei o carro pra ir pra facul, pra trabalhar e, uma minoria de vezes, pra sair. Tipo, ao contrário do meu irmão que só usava pra sair, festar, festar e sair - e ir nesses lugares piores como a chácara da Camila - eu não.
E, quando eu ficava sem carro, meu pai nunca teve a gentileza de me levar pro trabalho.
Escrevendo aqui, eu me lembro de uma vez que aconteceu algo muito mas muito chato.
No meu primeiro ano de Anglo, meu pai levava ou buscava da escola num revezamento com o pai da Emilene.
No segundo ano, ele falou que não levaria nem buscaria. Mas isso ele falou pra gente - eu e a Lu - mas pra gente retransmitir o recado. Afinal, o problema era nosso # ele já pagava a escola porque ainda se preocupar em levar/buscar??? # e como a gente iria resolver o impasse também.
Conclusão, o pai da Emilene/Renatinha, levava e buscava.
Por vergonha ou orgulho, eu passei a ir a pé. Ia e voltava a pé, inclusive quando tinha aula a tarde. Chovesse ou fizesse sol. Das poucas vezes em que chovia e o Sr. Kioski se propunha a levar/buscar, foi por vontade ele. Eu nunca pedi. Meu orgulho vai para todas as situações.
Teve um dia em que estava chovendo. Não lembro se chovia muito forte mas me lembro que de chovia.
O pai da Emilene tinha ido viajar e o Seu Kiki tb tinha viajado ou sei lá o que. Eu sei que, conclusão, me lembro de mim e da minha irmã no portão da casa da Emilene pensando se a gente chamava pra ir a pé também ou o que. O que eu sei é que, depois de uns minutos que pareceram a eternidade, a gente tocou a campainha dela.
E, acredite, o pai delas já tinha resolvido a situação pedindo pra secretária dele "nos" levar - na verdade, levar a filha dele mas, por caridade e piedade e já sabendo do nosso pai, nós entramos na carona.
Tipo, foram várias situações desagradáveis, mas é que se eu fosse escrever aqui todas elas, passaria o resto da vida escrevendo.
Hoje, 05/10/2012, foi mais um dia assim.
Leve-se em conta que eu já estou estressada por uma série de acontecimentos que me afetam e sobre os quais eu não tenho nenhum poder.
Leve-se em conta que ainda vai demorar pra eu passar na Dra. Yuki.
Leve-se em conta que hoje eu acordei cedo, coisa que eu detesto.
Leve-se em conta que eu quero mandar aquele síndico do cú bem frouxo se arrombar na esquina.
Leve-se em conta que... cansei de viver assim, com todo mundo mandando em mim - controlando minhas ações, recriminando meu modo de agir/ser.
Eu levantei cedo pra tomar café porque às 14:30 vou ao dentista e não pretendo almoçar.
No mais, eu tinha que imprimir O FORMULÁRIO PARA ELE E SACAR A GRANA PARA ELE.
O encontrei na rua, dei a chave pra ele e disse: SOBE LÁ E ME ESPERA LÁ QUE EU JÁ TO VOLTANDO.
E o que a besta quadrada e anta redonda fez???? Exatamente o contrário.
Saquei o $$$, imprimi a merda do formulário e voltei...
E a porta estava trancada e eu pensei: "por que diabos trancou a porta???". E toquei a campainha. E toquei uma, duas, 5 vezes e nada. E liguei na portaria e o porteiro me disse que ele tinha saido.
Liguei surtada pra ele que não atendeu.
Liguei surtada pra minha mãe que, como sempre, tentou colocar panos quentes. E ela também não conseguiu falar com ele.
Mandei um recado muito do mal educado pra minha irmã. Eu não quero nem saber. Não vou poupar ninguém porque ninguém me poupa.
Dos 4 filhos, eu sempre levei a desvantagem.
Vim trabalhar chateada. E vou, provavelmente, o dia muito puta da minha vida...

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