Ontem, 30/09/2012, um domingo lindo, acordei cedo e fui fazer uma das coisas que mais ODEIO: ir ao mercado. Uma das coisas que mais me lembra essa vidinha de empregadinha é esse negócio de ter que ir ao mercado.
Eu odeio, eu detesto, tenho pavor mas, por morar completamente sózinha, tenho que ir. Comprei aquele monte de coisas e depois vim meio cambaia pela rua com os dedinhos da mão roxinhos por estar carregando aquele monte de sacolas.
Pra complerar meu mau humor, meu pai vinha almoçar comigo.
É sério, to quase implorando para que minha irmã volte pra SP.
Ou leve essas gatas pra Belém. Ou mate essas gatas, ou as mande para um hotel de gatinhos.
QUALQUER COISA QUE FAÇA MEU PAI VOLTAR PRA OURINHOS.
Eu sei que meu irmão fica muito mal com meu pai lá.
Eu sei que minha mãe é o suporte dele - e também é o meu suporte, é o suporte dos meus outros irmãos, é o suporte desta família inteira - mas, sendo bem egoísta e pensando unicamente em mim, quero que se dane.
Não é por nada. Mas eu já cansei de bancar a boa filha. Já cansei de gastar meu dinheiro comprando pães, fazendo almoços, comprando comidinha japonesa. Ou por acaso ele pensa que isso é de graça? Que isso cai do céu???
Não meu filho... isso é pago. Tudo isso é pago e você nunca fez nada disso por nós, por que diabos eu devo
Eu sei que ele gastou muito dinheiro comigo nos estudos. Mas foi só com isso. Para todo o resto - comer um lanche, comprar um brinco, sair, qualquer coisa que ele considerasse fútil - eu tive que implorar.
Ou não fazer. Ou mentir.
Putz... eu saia 12:30 da escola e tinha aula de novo às 13:40. Minha casa ficava a uns 20 minutos a pé da escola... tinha que ir e voltar. QUE DESGRAÇA. Enquanto os outros comiam perto da escola, eu tinha que voltar. Debaixo daquele sol. E depois voltar pra escola de novo. debaixo do mesmo sol.
Do sol mais judiado da hora do dia.
É sério. Eu me lembro de todas as vezes em que deixei de fazer algo porque ele nunca estava disposto a levar e buscar ninguém. E oferecer carona então... NEM PENSAR. Nem fodendo.
Não por mim. Se eu tivesse a certeza de que ele falaria somente para mim, eu ficaria bem. Eu já estava/estou/estarei acostumada com as grosserias dele. A todo mau humor e a toda falta de tato dele. Antes eu sofria mais, verdade seja dita, mas aprendi a não sofrer mais. Ou melhor, a me machucar bem menos com a crueldade dele.
Voltando ao assunto do dia bonito, ele me disse: "Um dia bonito desses e você vai ficar aqui dentro?".
Ao que eu poderia ter respondido: "Sim papai, isso foi o que você me ensinou.".
Mas preferi dizer: "Já passei muito tempo fora da minha casa nesse fds..."
Enfim, ele se foi e eu fui lavar um pouco da louça, limpar o fogão, arrumar a louça, fazer uma hidratação, passar argila na cara... e tomar banho.
Acordei cedo pra fazer comprar, preparar o almoço, limpar casa, lavar louça, aguentar meu pai...
Domingo... prffifiiififififififi
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