Tuesday, March 31, 2015

JÁ VAI PASSAR BEBEZINHA

Subtítulo: A força da morte

É muito estranho pensar que, pela manhã, eu estava brincando com a bichinha no quintal e, à noite, ela estava morta.

Que eu nunca tive muita paciência nem com pessoas nem com animais, isso é sabido e notório mas, realmente, tem algumas coisas que eu falo que são completamente dispensáveis.

Meu irmão "resgatou" uma gatinha do meio da rua e levou para minha casa em Ourinhos. Eis que o meu "quartito" virou o refúgio da gatinha.

Como minha mãe sabe que eu não sou mto fã de animais e como ela sabia que eu iria para lá, ela tratou de remover a hóspede para o quartinho do computador. 

Mas, porém, contudo, todavia, entretanto a bichinha se machucou e quebrou a patinha, dentro do meu quarto. E eu, com o meu grande bocão, fiz o infeliz comentário "Foi praga minha". Ahhh se arrependimento matasse... - com certeza eu já estaria morta há muito tempo atrás.

Cheguei em Ourinhos na madrugada de quinta para sexta. Já pela manhã minha mãe veio com a gatinha com aquele jeitinho dela "Olha como ela é linda." "Vc já viu coisinha mais linda?".

E realmente, a danadinha era bonitinha. Um pouco por ser branquinha com olhinhos azuis, um pouco por ser bebezinha... a gatinha realmente era bonitinha. Até coloquei ela deitada no meu peito.

Eis que a tarde, lá fui eu com a minha mãe no veterinário para a Haninha - outra gatinha - tomar soro e para ver se "bebezinha" iria tomar alguma.

# GRAÇAS A DEUS NÃO RECLAMEI NEM NADA, FUI BOAZINHA, QUIETINHA E ATÉ BRINQUEI COM AS GATAS #

E lá fomos eu dirigindo, minha mãe com a Haninha no colo e a "bebezinha" na gaiolinha. E ela foi bem boazinha e bem quietinha.

Chegando lá, enquanto a Haninha tomava sorinho, a bebezinha ficou quietinha, como uma lady. Mas na hora dela tomar o soro... hum.... não tomou, miou, fez um grande escandalo tendo em vista seu pequeno tamanho.

Mas, voltamos todos para casa, td mundo bem.

Sábado pela manhã, acordei tarde - umas 10:00 - porque sabia que minha mãe queria ir ao mercado e lá estava ela lá embaixo, no quintal, com a bebezinha. A bebezinha parecia bem e feliz, apesar da patinha quebrada.

Até fiquei lá com ela um pouquinho. Brinquei com ela, não a deixei ir pro meio do entulho e até a vi "pulando" no vaso de bambu.... E foi a ultima vez que a vi bem... com vida. Feliz.

Dei uma saída a tarde e quanto voltei pra casa, umas 8 da noite, lá estava a minha mãe na sala, com a gatinha junto ao peito, tentando protegê-la e confortá-la.

Fiquei consternada. Também quis protegê-la e confortá-la... fiz carinho entre os lindos olhinhos azuis da gatinha e ela não fechou os olhos.

Quando minha mãe colocou ela deitadinha no sofá (o mesmo sofá onde meu pai morreu... glup..) fiquei penalizada de vê-la respirando de forma rápida e ofegante - assim como eu fico quando tinha aquelas crises do pânico horrorosas.

Segurei na patinha dela e fiquei repetindo "Já vai passar bebezinha, já vai melhorar...". Como eu tento fazer comigo quando estou nas minhas crises do pânico.

Quando tentei "largar" a patinha dela para ir procurar o telefone da clínica veterinária 24hs, ela parecia que fez força para eu não largar. Pelo menos, eu fiquei com essa impressão.

Mas eu queria sair dali porque eu já estava ficando angustiada e sugestionada. E eu iria embora 23:58. Tudo o que não precisava era ficar mal. Forcei e tirei meu dedo da patinha dela.

E fui tentar ver na internet o tal telefone da tal clínica. Nisso, só ouvi minha mãe, meu irmão e minha irmã gritando o nome da gatinha "Maia... Maia". Achei q ela já estava partindo. 

Mal sentei no computador e já veio o meu irmão, com a delicadeza de um mamute, me mandando sair dali... nisso, já desceu a minha mãe com a gatinha, já indicando onde estava o cartão da tal clínica.
Meu irmão já ligou desesperado falando que a gatinha estava muito mal, já quase morrendo.

Vi eles saindo em 2 carros. Meu irmão e minha mãe num carro e minha irmã logo atrás, tentando falar com o veterinário da sexta feita, Dr. Ricardo.

Passaram uns 20 min e meu irmão voltou. Eu não perguntei nada mas, lá no fundo, tinha a esperança de que a gatinha tivesse ficado na clínica recebendo os cuidados... mas então... eu ouvi a minha tia perguntando por ela e meu irmão falando que a bebezinha tinha morrido.

Fiquei triste. Fiquei triste porque ela era uma bebezinha, porque ela era engraçadinha, porque ela era bonitinha... porque eu tinha colocado ela no meu colo, enfim...

Quando a minha mãe chegou com a gatinha, quis vê-la para me despedir dela. Sei lá... queria dizer adeus. Tentei pegar na patinha dela e o corpinho dela ainda estava quentinho. Acho que devo ter dito "Tchau bebezinha", qq coisa assim.

Enfim... minha mãe estava mto mal pois ela morreu no colo dela. E também, acho que minha mãe está fragilizada desde a morte da minha tia, depois a morte do meu pai... eu ainda disse: "Agora ela está descansando, está bem, no céu das gatinhas. Não está mais sofrendo.".

E, no fim, como eu disse lá no título "Já vai passar bebezinha"... e passou mesmo. Ainda que tenha sido com a morte, passou a dor, a agonia, a falta de ar.

Fique bem bebezinha... fica ai feliz e saltitante no céu dos gatinhos...

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